SARAU EMERGE 7 EM PALAVRAS: O papel da natureza e da arte para moldar uma nova sociedade

SARAU EMERGE 7 EM PALAVRAS: O papel da natureza e da arte para moldar uma nova sociedade

Sala branca. Fria. Inóspita. Nada.

Cadeiras de braço enfileiradas como sala de aula. E viradas para a parede.

Eles chegam, pegam papel e caneta e são convidados a deixar as mãos falarem.

Com que sentimentos você chega?

Que sensações este ambiente te causa?

Quais são suas maiores ansiedades hoje?

E os maiores medos?

O que é vida para você?

Como natureza e arte se encontram?

 

Foram algumas das perguntas que guiaram os participantes deste último Sarau Emerge numa jornada interior de conexão.

Depois da experiência escrita, em que observaram seus padrões de pensamento e seu estado de conexão e presença, foram direcionados a um outro ambiente. Mais colorido, algumas flores, um café da tarde acolhedor.

 

Um exercício de meditação e respiração seguido de dança.

 

Nesse transitar de vivências e ambientes experimentaram lugares diversos dentro de si. Visitaram as sensações da mente linear e aquelas outras despertadas pelo poder da respiração e da arte.

 

Estímulos diversos, contextos diferentes, incômodos, confortos.

 

Abertura para ouvir-se a si e perceber os enormes diálogos internos gritando para serem escutados, mas sufocados no correr da vida. Conforto durante a escrita, na sala branca, e estranheza nas vivências sensoriais.

 

Diversas – e às vezes opostas – foram as sensações. Mas uma sensibilização foi comum: a necessidade da conexão “eu comigo”, para, a partir daí, estabelecer uma conexão “eu com o outro” e “eu com o todo”.

 

E o papel da natureza e da arte nisso?

 

As crises políticas, econômicas, ambientais e sociais pelas quais o mundo passa, a intolerância  – em níveis insustentáveis há muito tempo  –  ao que é diferente dos padrões individuais de visão de mundo e de crenças, a descartabilidade das vidas humanas, são reflexo de uma desconexão profunda do homem consigo e com o outro.

 

Vivemos isolados de nós, desconectados de nossa essência, talentos, paixões. Daquilo que nos nutre a alma. Apagamos os sonhos. Nos adequamos a modelos de trabalho e de vida que não são exatamente o que somos e acreditamos. Mas é o que em algum momento da sociedade nos foi ensinado.

 

Estamos desconectados do sentir. Do sutil. O que vale é concreto, cartesiano, medido e pesado. Isso se traduz numa sociedade racional, que não vê o humano, sua história de vida, seus sonhos, desejos, emoções. Uma sociedade que não se permite ser vulnerável.

 

E assim seguimos separados. Temos a ideia de que natureza é apenas aquilo que conhecemos na forma mineral, animal e vegetal. Que está fora. Essa natureza, no entanto, nos molda, nos compõe. E nos lembra de que a separação homem-natureza é ilusória. Somos pura natureza.

 

Da mesma forma, temos a arte como algo externo a nós. A arte experimentada como entretenimento ou contemplação, na forma de pintura, dança, desenho, teatro, música e tantas outras expressões. Ela, no entanto, nos sensibiliza, desperta emoções e nos aquece o sentir. Nos conecta com o intangível, com o que não é linear ou lógico. Mexe dentro. Somos pura arte.

 

Natureza e arte ampliam nossas percepções, nos lembram de que somos unos. Que precisamos urgentemente resgatar a integração que sempre existiu e existe, mas que anulamos em nossas vidas ilusioriamente cartesianas.

 

E desse lugar de verdadeira conexão é que podemos atuar de forma mais consciente e humana no mundo.

 

 

 

Por Ana Paula Coscrato dos Santos, gestora e facilitadora do Impulso Emerge, coach e co-fundadora da Eight¥ Coaching – Rede Colaborativa de Coaches, gestora de empresa familiar, dançarina e escritora. Atua em processos de transição pessoal e organizacional. Adora descobrir novas formas de ver e viver o mundo, com mais amor e consciência.


One comment

    • Christine Bona De Napoli-
    • 27 de junho de 2018 at 08:55-
    • Responder

    Participei do Sarau e posso dizer que foi realmente uma oportunidade de conectar-me comigo, com o outro e com o grupo. Muito grata pela experiência!

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